Convite MIS/SIM – diálogos entre coletivos

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Nos dias 18 e 19 de maio o Coletivo Moleo realiza o Encontro MIS|SIM – Diálogos entre Coletivos, evento multidisciplinar que vincula a ação de coletivos de artistas e artistas convidados, num movimento de mobilização e ocupação do museu. Aberto ao público em geral o evento é um convite a visitar e refletir esteticamente sobre este espaço que é parte do patrimônio histórico da cidade.

O evento é resultado do encontro Residência de Bolso – Diálogos entre Coletivos, que contou com a participação de representantes dos coletivos Nós-Moçada, Grupo Vão, Esse Coletivo, Ateliê Oço e Coletivo Miséria além de artistas convidados, no qual trabalhamos com as possibilidades de desenvolvimento e geração de trabalhos, de forma colaborativa, no período de um dia.

Através da troca de impressões, ideias e olhares, o grande grupo formado durante este encontro elaborou um conjunto de ações e atividades a serem realizadas durante a programação do MIS|SIM, que pretendem dialogar diretamente com o espaço: intervenções artísticas no museu e seu entorno, apresentação de performances, sessões de projeção de vídeos e filmes em super-8, video mapping, música, integração e muito divertimento.

Processo criativo

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Pessoal, o projeto “Atos Urbanos” contemplado pelo FICC está a todo vapor! Depois de algum tempo parado retomamos o processo com estréia prevista para agosto deste ano, em Campinas!

Confiram o blog do projeto: www.projetoatosurbanos.blogspot.com.br

Trata-se de um diário de campo onde postamos pensamentos, referências e outros materiais que surgem durante o processo criativo.

Fiquem a vontade para compartilhar conosco, discutir, sugerir!

Um forte abraço,

Grupo Vão

Carta pública

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CARTA PÚBLICA À COMUNIDADE DE CAMPINAS SOBRE O FICC 2010/2011

Campinas, 23 de janeiro de 2012.

O Fundo de Investimentos Culturais do Município de Campinas (FICC) foi criado a partir da lei municipal nº 12.355 de 10 de setembro de 2005, durante o mandato do Prefeito Dr. Hélio.

De acordo com o edital publicado no Diário Oficial em 28 de outubro de 2010, o valor dos recursos destinados ao FICC, exercício de 2011, para o financiamento de projetos culturais seria de R$ 1.354.000,00.

Foram aprovados 49 projetos de diferentes áreas artísticas, dentre eles, cinco são da área da Dança.

Já no momento da contratação a Secretaria Municipal de Cultura mudou a forma de divisão das parcelas de pagamento, alterando de três para seis parcelas.

Durante os meses de julho e agosto foram quitadas as duas primeiras parcelas. Após quase quatro meses de atraso, em dezembro foi paga a terceira parcela, nos deixando sem previsão de quando a  outra metade da verba faltante seria paga. Além disso, devido à situação de crise política no executivo da Prefeitura de Campinas, houve duas substituições no cargo de secretário de cultura durante o período de apenas quatro meses. Ficam as seguintes questões:

•    Se o FICC é um fundo e no edital 2010/2011 foi discriminado R$ 1.354.000,00 significa que esse dinheiro teria que estar no planejamento orçamentário de 2011. Se ele “não existe”, como já foi declarado informalmente pela Secretaria de Finanças, podemos entender que há um mau planejamento, incompetência e irresponsabilidade por parte do trabalho entre as secretarias. Onde está esse dinheiro e porque tanta osbcuridade sobre o seu destino?

•    A Secretaria de Cultura, junto à Secretaria de Finanças, já deveria ter dado um parecer oficial em relação à suposta falta de verba para o cumprimento do edital e lei, assim como apresentar uma solução para essa situação, afinal, não podemos dar continuidade ao trabalho sem a certeza de quando serão pagas as próximas parcelas. Sem este parecer os proponentes precisam se responsabilizar e responder por uma situação na qual não tem culpa, precarizando ainda mais a relação entre os profissionais ligados à cultura. Afinal, quando iremos receber? Iremos receber?

•    Considerando que cada projeto tenha cerca de 10 profissionais envolvidos, são pelo menos 490 artistas e técnicos que tiveram seus cachês ou salários comprometidos. Sem contar os serviços de terceiros contratados que não puderam ser pagos. De onde o artista tira dinheiro para arcar com esses gastos do projeto?  Como quitar as dívidas com terceiros?

•    O FICC surgiu com o intuito de apoiar a criação, pesquisa e produção cultural; incentivar a iniciação e qualificação artística; difundir a produção campineira, entre outros objetivos. O não pagamento dos projetos pode, pelo contrário, desarticular os grupos e as suas pesquisas. De que vale uma lei que não se aplica?

Considerações finais

Sabemos que cada área artística tem suas especificidades. Um projeto na literatura tem necessidades diferentes de uma produção em dança, por exemplo. As questões que levantamos acima estão mais próximas dos danos causados aos contemplados da área de Dança, porém sabemos que a inadimplência da prefeitura perante os projetos contemplados nesse último edital afeta diretamente qualquer tipo de projeto e compromete em grande escala a produção cultural de Campinas. Afinal o FICC, apesar de possuir um histórico comprometedor repleto de outros exemplos de incompetência administrativa, é a única tentativa de aplicação de uma política pública direcionada à produção cultural em Campinas. Vale lembrar que essa não deveria se limitar ao carnaval, festas juninas e comemorações de natal.

Esperamos que o novo secretário de cultura Flávio Sanna se posicione de forma efetiva sobre esse assunto, para que possamos de fato cumprir com o nosso projeto e não continuar privando a população campineira da grande e diversificada produção cultural que Campinas possui e que está sendo sucateada. Afinal, quando o poder público de Campinas vai reconhecer a relevância das produções dos (muitos) artistas da cidade?

Os consecutivos atrasos do pagamento causaram danos aos grupos que já tinham iniciado o trabalho. Muitos dos participantes tiveram que trabalhar em outros projetos, as apresentações tiveram que ser canceladas com os únicos centros culturais da cidade e o trabalho desenvolvido até então perdeu muito da sua qualidade. Desse modo o investimento na realização do nosso projeto durante os três primeiros meses foi muito prejudicado. Toda essa situação interfere na execução do projeto original aprovado pelo edital, se tornando imprescindível o diálogo entre o Conselho de Cultura, presidido pelo atual secretário Flávio Sanna, e os grupos contemplados para que haja em caráter emergencial negociações e pedido de alteração de prazos, cronogramas e orçamento referente a cada projeto.

Por fim, cobramos uma revisão para as próximas publicações dos editais do FICC que assegure e garanta que a prefeitura se responsabilize pelas conseqüências geradas na realização de cada projeto cultural, pois, como exemplo, diante dos prazos dos contratos da edição atual do fundo o proponente corre o risco de ficar inadimplente perante a prefeitura de Campinas, mesmo se a mesma não pagar a verba prevista para o projeto até a data final do contrato (abril de 2012), inviabilizando a participação do proponente em outros editais e concursos público em nível nacional.

Grupo VÃO

FICC 2011/2012

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O PROJETO “ATOS URBANOS” DO GRUPO VÃO CONTEMPLADO PELO EDITAL DO FICC 2011/2012 ESTÁ INTERROMPIDO TEMPORARIAMENTE DEVIDO A INADIMPLÊNCIA DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DA PREFEITURA DE CAMPINAS.

Veja o link de notícia publicada no site da EPTV de Campinas sobre a situação da Cultura da cidade:

processo criativo

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Projeto ATOS URBANOS

Local: Largo do Rosário, Campinas

Fotos por João Victor

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cizenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a  pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.
Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam pra casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Drumond.